Rastreamento do câncer de pulmão no Brasil

INSTITUTO ONCOGUIA
5 de dezembro de 2017

Painel discutiu entraves e possíveis caminhos para a detecção da doença no País

Uma importante forma de conseguir realizar o diagnóstico precoce do câncer de pulmão é por meio do rastreamento, tema que foi debatido durante o Fórum Temático Câncer de Pulmão, do Instituto Oncoguia, realizado no último dia 27 de novembro, em São Paulo. Segundo o cirurgião torácico Ricardo Sales dos Santos, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, rastreamento é quando se faz uma pesquisa ampla para avaliar fatores de risco para a doença e acompanhamento do estado de saúde dos pacientes que possuem maior probabilidade de desenvolver o tumor. “Rastrear não é somente um teste na vida, mas sim ter um acompanhamento contínuo (do paciente)”, disse o especialista.

Para destacar a importância do rastreamento, Sales aponta os resultados de um trabalho publicado no periódico científico The New England Journal of Medicine em 2011, que avaliou 50 mil pessoas – desse total, 48% eram fumantes. No estudo, denominado The National Lung Screening Trial (NLST), 25 mil voluntários se submeteram à tomografia, o exame de imagem usado para detectar o tumor, e 25% ao raio-X de tórax. No primeiro grupo, a redução da mortalidade em decorrência da doença foi de 20%. “Não há uma medicação de quimioterapia que tenha garantido um benefício tão grande na redução das mortes”, falou Sales.

O cirurgião, que também realizou pesquisas para avaliar a importância do rastreamento no público brasileiro, mostrou dados de sua investigação que se valeu de modelo semelhante ao americano e foi levada a cabo no Einstein. Participaram dela 790 voluntários. Desse total, 62% eram tabagistas. “Eles estavam na fase contemplativa, abertos para parar de fumar”, contou. Por meio de tomografia, foram identificados 10 casos de câncer de pulmão, um índice de 1,3%, que é considerado elevado em pessoas de alto risco. Foram flagrados também três de tuberculose e 2 de tumores benignos. Com esse tipo de rastreamento, segundo Sales, é possível identificar 13 casos de câncer de pulmão em estágio precoce a cada mil pessoas, sem contar problemas coronarianos e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica).

“O trabalho mostrou que é factível seguir esse modelo tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos”, disse o médico, que também integra a ProPulmão, uma rede de médicos e profissionais de saúde focados em conscientizar, prevenir e tratar a população, fumante ou não, sobre o câncer pulmonar. O próximo passo agora é reproduzir o estudo em outros centros País afora. Além de contribuir fortemente para o diagnóstico precoce, Sales apontou também que os custos da doença avançada são maiores do que aqueles aplicados na sua fase inicial.

Ricardo Sales dos Santos, do Hospital Israelita Albert Einstein; Luciana Holtz, presidente do Oncoguia, e Gustavo Faibischew Prado, da SBPT

Para Gustavo Faibischew Prado, coordenador científico da Comissão de Câncer da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), é recomendável avaliar o custo-efetividade de um programa de rastreamento, o quanto se gasta para cada ano de vida salvo. Segundo ele, a Organização Mundial de Saúde recomenda que, para que uma determinada medida de saúde seja custo-efetiva, fique em até um PIB per capita (por volta de 11 mil dólares no Brasil), no máximo três PIBs per capita. No caso da implantação de um programa de rastreamento de câncer de pulmão no País, seria preciso considerar um total de 11 mil a 32 mil dólares de dispêndio. É uma quantia bastante desafiadora para o cenário brasileiro, segundo Prado.

“De certa forma há uma inversão de valores, uma supervalorização de medidas de alta tecnologia e impacto limitado em detrimento de medidas de amplo acesso e impacto maior”, criticou. “Em paralelo, temos outros desafios maiores para cumprir antes de brigar pela implementação de um rastreamento em grande escala.

Fonte: http://patrocinados.estadao.com.br/oncoguia/2017/12/05/rastreamento-do-cancer-de-pulmao-no-brasil/

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